Investimentos

Compromissada

Compra com compromisso de revenda ou venda com compromisso de recompra? Entenda as vantagens de fazer uma compromissada.

Por Vinicius Bacellar Martinez

17 de Dezembro, 2018 6 min de leitura

Compra com compromisso de revenda ou venda com compromisso de recompra? Quais as vantagens de fazer uma compromissada e suas principais características?

Na prática, a operação compromissada funciona de forma muito similar a um CDB. De uma lado, um investidor entrega o dinheiro ao banco, correm o risco de crédito da instituição, pactuam uma taxa de remuneração e, na data do vencimento, resgata o seu dinheiro com o rendimento acordado. Mas então qual a diferença?

Como funciona a operação compromissada?

Na operação compromissada, o investidor está literalmente comprando um título de valor mobiliário de forma temporária. No mesmo momento da compra, o investidor e o banco já pactuam um compromisso de revenda deste título combinando um prazo e um preço para isso. Dessa forma, fica estabelecido um prazo de vencimento e a diferença entre o preço de revenda e compra acabam determinando a rentabilidade do investimento, que pode ser calculado em forma de percentual ao ano, como qualquer outro tipo de investimento em renda fixa.

Qual título é utilizado na operação compromissada

O título que é comprado ou vendido na operação compromissada recebe o nome de lastro e pode ser do mais diverso tipo! Podendo ser uma debênture, um título público, etc, mas geralmente acaba sendo um título público.

Rendimento da compromissada

A parte mais interessante é sobre os preços de compra e venda do título. Eles tem pouco a ver com a rentabilidade do título que é utilizado como lastro. O preço de compra inicial geralmente é um preço próximo ao valor de mercado do título utilizado como lastro. No entanto, o preço de revenda do título é combinado entre o investidor e o banco. Ele reflete o indexador e a taxa de remuneração do investidor. Esta taxa de remuneração pode ser prefixada ou posfixada, vinculada a um indicador de mercado (como CDI ou IPCA, por exemplo).

Ou seja, pode acontecer de um título que tenha originalmente característica de ser um título pré fixado (10% ao ano por exemplo), ser objeto de uma operação compromissada que remunere o investidor uma taxa pós fixada (100% CDI), por exemplo.

Por que fazer uma operação compromissada?

Geralmente a operação compromissada é feita por pessoas ou instituições que tem seus recursos (caixa) investidos em títulos, mas precisam de dinheiro de curto prazo para honrar algum pagamento ou descasamento de caixa. Imagine que você tenha R$ 10.000 investidos em LFT (Tesouro SELIC) e precisa fazer um pagamento urgente, mas vai receber seu salário em alguns dias. Ao invés de vender os seus títulos, pagar o seu compromisso e depois que receber seu salário comprar de voltar os títulos, você mantém os títulos, faz uma operação compromissada, paga seu compromisso e depois quando receber seu salário, repaga a compromissada e recebe seus títulos de volta.

Para operações de curto prazo, é a situação ideal pois assim evita-se o Imposto de Renda da venda dos títulos e é uma operação muito mais ágil, lembre-se que a venda de um título público pode levar de 1 a 2 dias úteis para liquidar. Imagina ter que esperar esperar de 2 a 4 dias úteis só no tempo de liquidação da compra e venda dos títulos para receber os recursos. É muito tempo sem remuneração e nem sempre temos todo este tempo para programar os recursos para pagamento e recebimento.

Além disso, o custo de um CDB, por exemplo é mais alto do que o custo de uma compromissada. Imagine que para fazer um CDB, o banco tem o custo de registro da operação na CETIP e a taxa do FGC, como mencionei neste post.

Por fim, tem o risco de crédito, que é bastante reduzido na operação compromissada como vou explicar mais abaixo.

Quem faz operações compromissadas

Operações compromissadas são muito utilizadas pelo mercado financeiro e geralmente é o instrumento número um quando se fala em gestão de caixa em bancos e instituições financeiras. Por ser um instrumento muito simples, eficiente e rápido, permite que o banco, corretora ou outra instituição financeira possa investir o seu caixa no mesmo dia, caso perceba que sobrou caixa no final do dia ou então pegar dinheiro emprestado caso tenha mais saída do que entradas de caixa naquele dia, sem precisa remanejar seus investimentos de longo prazo.

Por esta facilidade, geralmente a compromissada no mercado financeiro tem duração de apenas 1 dia útil, assim todo dia o gestor de caixa (operador) "passa" ou "toma" compromissada para zerar o caixa das instituições para manter o saldo sempre próximo de zero, ou seja, não ter nem um real sem estar investido ou com caixa negativo.

Além das instituições financeiras, mais recentemente as empresas tem utilizado a operação compromissada para investir seu excedente de caixa pois a compromissada é isenta de IOF! Como as empresas tendem a ter um fluxo de caixa mais estável, as compromissadas em empresas tendem a ter o prazo um pouco mais longo, mas ainda assim, tendem a ser mais curtos do que os CDBs, por exemplo.

Risco de crédito da operação compromissada

O risco de crédito primário de uma operação compromissada é sempre o risco da pessoa ou instituição que pegou o dinheiro emprestado. Quem emprestou o dinheiro sempre tem o risco da sua contraparte não pagar de volta o empréstimo. E é aí que vem uma das partes mais importantes deste instrumento: o lastro. O título que foi utilizado como lastro da operação funciona como uma garantia da operação, então caso o devedor não honre a operação, o lastro passa a ser do credor, uma vez que ele tem a custódia do título!