Será que é possível investir em ativos mais arriscados, com um seguro embutido? E se esse seguro já estivesse incluído no investimento e você não precisasse pagar nada por ele? Parece até bom demais para ser verdade, mas é!
História
O FGC, o Fundo Garantidor de Créditos foi criado na década de 90 e é uma instituição privada sem fins lucrativos. Sua criação foi autorizada pelo CMN, o Conselho Monetário Nacional e tem como função garantir o pagamento de títulos de renda fixa emitidos por bancos e outras instituições financeiras, eliminando assim o risco de crédito dessas instituições.
O efeito dominó
Mas essa função acaba tendo um impacto muito maior quando pensamos no coletivo do mercado financeiro nacional. Ele reduz significativamente o risco de uma crise sistêmica. Funciona da seguinte maneira: pense naqueles efeitos cascata que fazem com peças de dominó. O mercado financeiro faz com que o dinheiro circule daqueles que tem dinheiro para emprestar para aqueles que querem dinheiro para investir em outros ativos. Vamos a um exemplo: Um investidor muito rico investe em um banco. Este banco usa parte deste dinheiro para um empréstimo para uma indústria que está ampliando a capacidade da sua fábrica. Esta fábrica vai aumentar sua produção e gerar mais lucro, pagando mais dividendos aos acionistas (donos) da fábrica. Neste exemplo, todos ficam felizes pois a fábrica ganha mais dinheiro ao ampliar sua produção, o banco ganha dinheiro ao emprestar para a empresa e o investidor ganha dinheiro pois investiu no banco.
Mas esta cadeia esconde um risco sistêmico pois imagine que a fábrica tenha um problema e não possa pagar sua dívida. Neste exemplo simples, o banco e o investidor perderão seu dinheiro. Agora imagine que esta é apenas uma pequena ramificação da intrincada cadeia do mercado financeiro onde uma empresa investe no banco, o banco empresta para pessoas físicas, pessoas físicas investem no banco, por assim vai. Pequenos desfalques ou calotes acabam sendo absorvidos sem problemas pelo sistema. Mas quando um grande banco quebra e deixa milhares de pessoas e empresas sem ver seu dinheiro de volta pode desencadear um efeito cascata pois estes deixarão de pagar outros bancos, que deixarão de pagar outras pessoas e empresas e por assim vai.
Colchão de liquidez
Para evitar ou ao menos atenuar situações como essa que entra o FGC. Ele funciona como um colchão de liquidez, caso um banco ou instituição financeira não consiga pagar de volta seus investidores, o FGC entra em ação e paga estes investidores com seu caixa próprio, funcionando como um seguro contra a inadimplência do banco.
Quais bancos fazem parte do FGC
A associação ao FGC não é obrigatória, uma vez que é uma entidade do setor privado e não governamental. Mas acaba sendo uma boa prática que quase todos acabaram se associando. Caso queira conferir a lista completa e sempre atualizada das instituições que fazem parte, aconselho a conferir sempre o site do próprio FGC, neste link.
Funcionamento
Para garantir que vai ter caixa suficiente para este pagamento, o fundo cobra uma taxa percentual das instituições participantes de todas as operações garantidas. Sempre que você investe seu dinheiro no banco, um pequeno percentual vai para o FGC. O FGC por sua vez cria um colchão de liquidez, um determinado valor que fica reservado e caso algum banco venha a falhar, ele usa este recurso para pagar os credores.
Isto significa, que existe sim um custo para este seguro e ele já está embutido na taxa da sua aplicação. Portanto, fique tranquilo pois a rentabilidade anunciada é sempre líquida desta taxa.
Valor garantido
Não são todos os investimentos que são garantidos pelo FGC. Vamos falar primeiro sobre os valores. Quanto escrevi este post, o FGC garantia um valor de até R$ 1.000.000 por CPF a cada 4 anos limitado a R$ 250.000 por grupo emissor. Vamos explicar melhor este limite.
Primeiro, vamos falar do valor garantido por grupo emissor. É muito comum empresas criarem grupos e cada empresa do grupo se especializar em um serviço ou produto específico. Isso acontece por questões fiscais ou mesmo de organização interna da Instituição, mas no final as empresas de um mesmo grupo acabam tendo os mesmos acionistas finais. Por isso, o FGC limitou a R$ 250.000 a garantia para CPF por grupo emissor, ou grupo de empresas. Isso significa que caso dois bancos do mesmo grupo deixem de pagar seus credores o valor máximo garantido para cada CPF será de R$ 250.000, mesmo que uma pessoa tenha dinheiro nas duas instituições. Ou seja, independente do número de contas correntes, investimentos, e etc, o valor máximo restituído por CPF será os R$ 250.000,00 dentro de um mesmo conglomerado financeiro.
Outra limitação que foi implementada recentemente diz respeito ao risco sistêmico. O risco sistêmico ocorre quando a quebra de uma instituição acaba acarretando na quebra de outras instituições em efeito cascata.
Para limitar este risco, o FGC implementou um limite adicional de R$ 1.000.000,00 por CPF, independente de instituição, dentro de uma janela móvel de 4 anos. Vamos a um exemplo: um investidor tem R$ 2.000.000 investidos em 8 bancos, sendo R$ 250.000 em cada um deles. Suponha que 6 bancos quebrem e não devolvam o dinheiro a este investidor. Caso o FGC não existisse, o investidor perderia R$ 1.500.000. Mas, o FGC vai garantir e devolver a ele o valor total de R$ 1.000.000, sendo R$ 250.000 de cada grupo emissor (apenas dos 4 primeiros que declararam inadimplência). Os R$ 500.000 que o investidor não vai receber excede o limite. Este investidor pode continuar investindo e após 4 anos, este limite será retomado, voltando a ser elegível a receber uma nova indenização caso seja necessário.
Investimentos garantidos
Quanto aos instrumentos garantidos, a lista é grande! Ela inclui desde os saldos depositados em conta corrente, valores aplicados na poupança, CDBs, compromissadas e outros. Assim como a lista de bancos associados, para garantir que vai ver a lista completa, consulte diretamente o site do FGC neste link.
Rendimento garantido
Outro ponto positivo é que o FGC cobre todo o saldo existente na instituição. Isto significa que o rendimento (juros) do seu investimento também está coberto pela garantia, não apenas o principal!