Dívida pública
Os títulos soberanos são os títulos de dívida pública emitidos pelos governos federais. No nosso caso, o governo brasileiro faz emissões pelo Tesouro Nacional e têm como objetivo principal o financiamento das contas do governo.
É a famosa história da dívida pública! Mas além de financiar o governo, os títulos públicos têm como efeitos secundários a função de regular a economia, mas isto é assunto para outro post!
Voltando ao assunto principal, quando ouvem dívida pública, muitos ficam não com um, mas com dois pés atrás:
"Mas e o calote na dívida pública? É muito arriscado investir em dívida pública no Brasil!".
Risco de crédito
Pode ocorrer um calote? Pode, sempre pode. E qual a probabilidade disto acontecer? Praticamente nula. E isto não tem relação com a situação econômica do país, vou explicar. Imagine que você tenha uma impressora de dinheiro na sua casa. Qual a probabilidade de você ficar com o nome sujo? Nenhuma, certo?
Pois é o que ocorre com o governo federal. Somente o regulador é capaz de emitir moeda, portanto, qual seria o incentivo de não pagar a dívida pública quando o máximo que precisam fazer para pagá-la é emitir mais moeda? Basicamente, o detentor da dívida é dono da impressora que imprime dinheiro. Qual seria o seu incentivo em não pagar uma dívida na sua própria moeda?
Mas então por que o governo não emite dinheiro ao invés de fazer dívida? O efeito disso a longo prazo é muito danoso para a economia. A moeda sofre uma grande desvalorização via inflação. Quando o montante de dinheiro em circulação aumenta, o valor unitário de cada real diminui. Imagine que a riqueza do país (terras, indústrias, etc) será a mesma, mas ao invés de dividir por "X dinheiros", vai dividir por "2X dinheiros". Cada "dinheiro" vai valer menos, concorda? Precisaremos de "2 dinheiros" para comprar o que antes comprávamos com "1 dinheiro". Isto é inflação.
Quando falamos em dívida externa emitida em outra moeda então, é outra história, pior ainda, pois além de emitir a moeda, a autoridade tem que comprar a moeda externa, desvalorizando a moeda nacional frente ao dólar.
Já entendeu né? O investimento em Tesouro Direto para nós brasileiros, que estamos aqui no Brasil e investindo em Real é de baixíssimo risco quando estamos falando de risco de crédito. Podemos dizer que é uma aplicação livre de risco de crédito.
Risco de mercado
O Tesouro Direto é um investimento em renda fixa, no entanto, quando aplicamos e resgatamos o título antes do vencimento do mesmo, podemos correr variações de precificação de mercado que levem a uma desvalorização e a uma perda financeira. Isto se deve ao MtM - Mark to Market. Esse assunto parece complicado, mas não é! Vamos explicar em breve! Fique ligado!
O importante para este tópico é que o Tesouro Direto oferece muitas e ótimas opções de investimento. Vários tipos de títulos, com diferentes tipos de indexadores e fluxos de pagamento. Cada um tem características diferentes que servem aos mais diversos objetivos dos investidores.
Vamos explorar cada uma deles mais pra frente, mas por enquanto, veja alguns dos tipos:
Indexadores
- Pré-fixado: Oferece uma taxa de juros pré-fixada, acertada no momento da compra do título, válida até o vencimento do papel.
- Pós-fixado: Atrelado à SELIC, tem taxa variável de acordo com a taxa divulgada.
- Indexado a índices de inflação: Oferece remuneração atrelada a uma taxa fixa em adição a um índice de inflação.