Mercado Financeiro & Economia

Taxa SELIC e COPOM

Entenda como o Banco Central e o COPOM utilizam a taxa de juros básica da economia para controlar a inflação no Brasil.

Por Vinicius Bacellar Martinez

08 de Outubro, 2018 4 min de leitura

Está lá no site do Banco Central do Brasil (BCB):

"Assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda e um sistema financeiro sólido e eficiente"

Em outras palavras, o BCB quer dizer que sua missão é controlar a inflação. E como ele faz isso? Uma das principais maneiras é por meio da taxa de juros do país. Esta taxa de juros sinaliza qual o custo do dinheiro, ou seja, em uma operação fictícia, sem risco de crédito, quanto as pessoas precisam pagar para ter o dinheiro emprestado. Por outro lado, se você tiver um dinheiro sobrando e quiser investir, quanto receberia em um investimento sem risco.

E o que isto tem a ver com a inflação?

De forma bem simplificada, imagine um empresário que quer comprar uma máquina para aumentar a capacidade produtiva da sua fabrica. Se ele tiver dinheiro guardado, ele vai precisar sacar o seu investimento para comprar a máquina. Se não tiver o dinheiro, ele pode ir até o banco e pedir um empréstimo.

Em ambas as situações, quanto maior a taxa de juros, menor a probabilidade de ele comprar a máquina. Se ele tiver dinheiro investido, talvez o investimento dele renda mais no banco do que comprando a máquina e produzindo. Se ele não tiver o dinheiro e precisar do empréstimo, os juros que ele vai pagar talvez inviabilize o lucro que ele teria com a compra da máquina.

Sabemos que quanto mais gente consumindo, comprando, investindo na economia real, mais quente a economia fica e acaba puxando a inflação para cima. Portanto, ao controlar a taxa de juros, o Banco Central tem uma ferramenta muito forte para o controle da inflação! É claro, o exemplo acima é bem simples, e não é, de forma alguma exaustivo. Existem inúmeros outros fatores e ferramentas que influenciam a inflação. Mas para o que precisamos, é mais do que suficiente!

SELIC

Pois é, demos toda essa volta para explicar então que, a cada 45 dias, o Banco Central reavalia a meta SELIC pra ver se precisam ou não alterá-la buscando a inflação alvo para o ano. Em termos técnicos, essa taxa é chamada SELIC Meta, pois é a taxa que eles vão buscar como objetivo.

Lembra quando expliquei sobre o CDI? Pois então, além de se zerarem seus caixas entre si, os bancos também emprestam ou pegam emprestado dinheiro com o Banco Central! Quando eles fazem isso, a operação é registrada no Sistema Especial de Liquidação e Custódia, o SELIC!

Bom, quem leu o post sobre o CDI já matou a charada! O SELIC divulga então diariamente a taxa média das operações registradas. Esta taxa é chamada de SELIC Referencial. Esta taxa também é aplicada a um dos títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, a LFT! Viu, no mercado financeiro tá tudo relacionado. Ficou curioso? Em breve teremos um post sobre isso!

COPOM

É o nome do comitê que se reúne a cada 45 dias. É formado por diretores do Banco Central e significa Comitê de Política Monetária.